domingo, 21 de abril de 2013

SEPARAÇÃO


Certo dia chegará
em que, tateando as paredes nuas
da sombria mansarda do em que vives,
tua mão não se deparará mais com a minha.

Um calafrio inédito percorrerá teu corpo
ao te dares conta de que não estarei sempre ali,
conforme houvera te prometido tantas vezes,
quando eu inda cria que seríamos um do outro pelos séculos.

As pontas dos teus dedos finos
procurarão desesperadamente enlaçar-se nos meus,
que terão se ausentado definitivamente.
E ficarás perdida nos labirintos que criastes para si.

Nesta hora, se te sobrar um lampejo de lucidez,
refletirás e concluirás que, em verdade, jamais estivemos juntos,
embora andássemos em paralelo.
Sempre estivemos distantes, por opção de um de nós, que não eu.

E perceberás que, pouco a pouco, fizestes escolhas.
E que estas escolhas é que me privaram da tua vida.
E nos colocaram falando palavras dóceis,
de costas um para o outro.

Eu estarei longe, nesta hora.
Provavelmente chorando a desdita
de ter estacionado a minha vida
aguardando que me alcançasses pelo caminho.

Estarei apavorado, por certo, como estou agora.
Pois terei tomado consciência
de que o amor que a ti me manteve ligado
era canção de uma nota só, melancólica e lúgubre.

Não mais pedirei que me ames.
Tampouco que compreendas meu amor.
Pois um amor que necessita ser compreendido,
não merece ser vivido.

Deste dia em diante
saberás continuas sozinha
e que eu continuo sozinho.
Como sempre estivemos, em verdade.

domingo, 17 de março de 2013

O velho agricultor



No sopé de uma montanha íngreme, um velho agricultor cultivava com dificuldade uma pequenina propriedade rural. Com pouquíssimos recursos materiais e minguadas forças para o duro trabalho do campo, só podia contar com o jovem filho e um cavalo, animal forte e bom de arado.
Num amanhecer em que a neblina densa confundia a vista, o pobre sitiante levantou-se para a lida. Mas, quando foi buscar seu cavalo no pasto, notou que a porteira do sítio ficara aberta durante a noite e o animal fugira.
Cabisbaixo e pensativo, ele voltava para casa quando, um sitiante vizinho, observando apoiado na cerca de arame, começou a dizer:
- Puxa vida! Que desgraça foi lhe ocorrer, meu vizinho! Percebo que teu animal fugiu e não terás agora como cultivar a terra adequadamente. Lamentável!
O pobre sitiante redarguiu, serenamente:
- Bem, meu caro vizinho, pode ser uma desgraça ou não... Só o tempo irá dizer, nada de desespero.
Dizendo isso, recolheu-se à sua casa e foi avisar a esposa e o filho do acontecido, sem maiores lamentações, posto que era um homem muito confiante e centrado, não obstante sua pouca cultura.
Por três dias o velho agricultor e seu filho realizaram todas as suas tarefas com o mesmo empenho de sempre, sem poder contar com o cavalo que desaparecera. Em nenhum momento lamentaram ou desanimaram da lida, embora seus corpos estivessem moídos pelo esforço dobrado.
Depois desse período, em que a porteira do sítio permanecera aberta, amanheceram ele, a esposa e o filho, ouvindo ruídos e relinchos diversos dentro dos limites do sítio, bem próximo ao quintal da casinha simples que habitavam.
Ao abir a porta do casebre, perceberam que o cavalo retornara para a propriedade, acompanhado de mais cinco animais robustos, selvagens, certamente oriundos das matas por onde andara.
O agricultor e seu filho rapidamente improvisaram um estábulo, onde prenderam os cavalos e lhes deram água e comida.
O vizinho do sítio ao lado não tardou a bisbilhotar o que se passava ali e, surpreso com a tropa de que dispunha o, até então, pobre sitiante. E foi logo gabando:
- Minha nossa, mas que sorte tens, meu bom vizinho! Não só recuperaste teu cavalo, mas agora tens mais cinco deles. E ainda mais novos e mais robustos! Poderás até mesmo ficar com apenas mais um ou dois e vender os outros por boa quantia em dinheiro e comprar maquinários modernos para a lavoura. Assim irás enriquecer!
Ponderado e discreto, respondeu o pobre agricultor:
- Pode ser sorte ou desgraça, meu estimado vizinho. Só o tempo irá dizer.
Na tarde do mesmo dia, seu jovem filho começou a montar os cavalos selvagens, afim de adestrá-los para a lida. Sem isso, não passariam de animais brutos, que poderiam até causar danos à propriedade e não serviriam ao trabalho exigente da lavoura.
Cada montaria que o moço fazia era perigosíssima, pois os animais não aceitavam ser domados e reagiam com furor, pulando, empinando e relinchando muito. Bem no finalzinho da tarde, aconteceu um acidente. Um cavalo derrubou ao chão o filho do sitiante e pisou sua perna com violência, fraturando-a em dois pontos.
O vizinho falastrão, que assistia à doma dos anmais, logo levou às mãos à cabeça, como se ele mesmo fora acometido de imensa dor pelas fraturas do jovem. Bradou:
- Meu Deus! Que desdita veio agora a te atingir, meu amigo! É chegada a época do plantio e teu filho ficará longas semanas acamado, sem poder ajudar-te nas tarefas do sítio. De que adianta teres uma tropa dos melhores e mais dóceis cavalos, se não tens teu filho para conduzi-los e tuas poucas forças de velho não te ajudam? Sem dúvida, estais desgraçado! Não poderás plantar a lavoura e, sendo assim, não terás colheita!
Enquanto socorria seu filho e tratava de imobilizar a perna fraturada, com serenidade e sem nenhum traço de desespero, o idoso respondeu educadamente ao seu intrometido vizinho:
- Posso estar desgraçado ou não, bom amigo. Vamos aguardar os acontecimentos e cuidar da perna do garoto. Tudo se ajeitará, tenho certeza.
E assim recolheram-se para o casebre, onde o filho passaria dias sofrendo com muitas dores e afastado do trabalho.
Durante o período de recuperação lenta do jovem, o país em que viviam entrou em guerra contra uma nação distante. Todos os jovens da sua faixa etária foram alistados ao exército compulsoriamente. Os generais ordenaram que se visitassem cada canto do país e arrancassem os jovens de suas famílias para irem à refrega, defenderem os interesses da nação na guerra, que prometia ser longa e penosa.
Quando os responsáveis pelo alistamento visitaram a região em que o jovem agricultor vivia, ele foi poupado, posto que não houvesse possibilidade sequer de caminhar com a perna fraturada. De maneira alguma seria útil no front. Os filhos do vizinho, no entanto, que eram três jovens sadios e fortes foram todos arrastados pela onda bélica.
Não tendo mais os filhos para cuidar da propriedade enquanto ele mesmo cuidava da vida dos vizinhos, não mais teve tempo de se ocupar da vida alheia.
A guerra foi mesmo longa e sangrenta. Inúmeros navios haviam partido do país, lotados com os jovens soldados, muitos dos quais jamais retornariam.
O jovem agricultor, ainda acamado, todas as tardes acompanhava os noticiários por meio de um singelo radio a pilha, junto com seus pais. A cada tarde, ouvia notícias terríveis de mais e mais baixas nas tropas de seu país.
E todos os dias se colocavam em oração. Pediam a Deus pelo fim do confronto, suplicavam  socorro espiritual às centenas de moços que desencarnavam pelejando pela nação e não deixavam de agradecer por aquele incidente que prostrara o jovem por semanas, poupando-o do conflito e possivelmente da morte.

A grande lição desta parábola, que não é de minha autoria, mas que ouvi há tempos e da qual desconheço o autor, é que devemos ter sempre serenidade, resignação e paciência diante de todos os acontecimentos da vida, sejam eles alegres ou tristes, positivos ou aparentemente negativos. Pois aquilo que à primeira vista pode ser um mal sem remédio, pode ser a salvação de uma situação verdadeiramente trágica. Enquanto que aquilo que pode nos parecer a maior alegria de toda uma existência pode acabar nos provocando danos dificílimos de ser reparados, seja moralmente, moralmente ou à nossa integridade física.
Dizia Paulo Apóstolo: “Todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus” e “Em tudo dai graças”

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ TRANSFORMAÇÃO


Aproxima-se o réveillon.
Um dezembro meio calado afivela suas malas já com certa pressa. Dentro delas, bem acomodadas, todas as lembranças e histórias, alegrias e tristezas, benesses e agruras dos últimos trezentos e sessenta e tantos dias.
O ano de número dois mil e doze, que há aproximadamente trezentos e sessenta e poucos dias nós esperávamos com ansiedade e expectativa, agora vai saindo de cena, cansado, surrado, por alguns até amaldiçoado.
E nós? Como nós ficamos?
Simples: nós ficamos aqui, preparando os caminhos para um outro ano, jurando uns aos outros e tentando nos convencer a nós mesmos de que será um ano maravilhoso, repleto daqueles votos que repetimos incansavelmente durante os intermináveis abraços e apertos de mão que distribuímos entre o dia de Natal e o trinta e um de dezembro. Muita paz, saúde, prosperidade, dinheiro no bolso etc. ... Tenho a sensação de que cada um de nós, ao repetir a cantilena de votos de um novo ano melhor, na verdade, intimamente ficamos tentando nos convencer de que, por alguma mágica maluca, a mudança do calendário por si só há de melhorar o mundo e as pessoas – desde que eu mesmo não esteja incluído nesse grupo que necessita de melhoria, afinal, são os outros que têm que melhorar para tornar minha vida mais palatável.
De minha parte, mesmo antes de desenvolver o hábito de refletir mais profundamente sobre a vida, eu já nutria certa desconfiança em relação a essa crença de que mudando o número do calendário, há uma chance excepcional de que tudo a minha volta se transforme para melhor e que a vida passe a sorrir mais para mim.
Esse texto mereceria aqui um parênteses para falar do talento e das teses dos numerólogos, tarólogos, astrólogos e mais alguns “ólogos” que defendem suas teses sobre influência dos números ou dos astros ou seja lá o que for sobre o nosso destino. Mas, confesso duas inconveniências: primeiro, que, na tentativa de explicar tais teses, esse parênteses ficaria longo demais; segundo, que eu não creio nem um pouquinho nessas teorias. E, como o texto é meu, posso me conceder a prerrogativa de não dar espaço ao que eu não creio. Mesmo sob pena de alguns dos meus leitores se sentirem ofendidos em suas crenças e abandonarem aqui a leitura.
O âmago da questão – não vou mais fazer rodeios – é que, ano após ano, temos a sensação de que tudo à nossa volta se repete, remetendo-nos à velha máxima contida no capítulo um do Livro do Eclesiastes: “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que não há nada de novo debaixo do sol”.
Qualquer um que deseje constatar modernamente esse estado de coisas, poderá fazê-lo facilmente realizando uma pesquisa sobre os arquivos de noticiários de anos anteriores, hoje facilmente encontrados numa rápida busca pela internet. Encontrará lá textos, áudios ou vídeos que praticamente, dezembro após dezembro, se repetem sobre violência, acidentes de trânsito, corrupção, desastres naturais, crises nos mais diversos setores da administração pública, impostos, custo de vida, crescimento econômico etc.
Quer um exemplo de notícia que a cada ano está na pauta dos noticiários, com as mesmas palavras? Aí está: “Bancos anunciam lucros recordes no ano de....” Pode preencher com o ano que desejar e você não estará mentindo. E nós, imensa maioria de brasileiros – os que não pertencemos à classe A – nos indignamos ao lembrar o quão minguado é nosso ganho, quantas taxas pagamos para manter nossas contas bancárias e quão pesados juros pagamos a esse sistema bancário para conseguirmos comprar uma casa ou um carrinho novo. Nessa hora, amaldiçoamos os ricos banqueiros, fazemos votos de nunca mais financiar nada. Os mais radicais prometem-se a si mesmos fechar a conta no banco e isso e aquilo... Promessas, nada mais. No ano seguinte, estaremos ouvindo a mesma notícia, com a mesma indignação e fazendo as mesmas promessas.
Esse exemplo do lucro dos bancos é apenas para ilustrar o fato de que em tudo nas nossas vidas, entra ano e sai ano, fazemos promessas de mudanças, votos de transformação e vamos repetindo à exaustão um modelo de vida e um corpo de crenças e ideologias que nos mantém atrelados a nossos pequenos vícios, às pequeninas imperfeições e preguiças que, somados, travam nosso progresso pessoal e assim esmaece o brilho dos votos que nos fazemos uns aos outros sob os fogos de infinitas noites de réveillon.
Portanto, o que nós precisamos, mais do que um novo calendário, é de novas atitudes. Mais do que promessas regadas a champanhe e sopa de lentilhas, necessitamos é de uma decisão firme e coerente em prol da nossa transformação pessoal, da qual nascerá a transformação da sociedade.
Podem vir 2013, 2014, 2015. Se esses novos números nos encontrarem refratários às mudanças, hábeis apenas em pronunciar belos – e estéreis – presságios aos outros, o país nunca será aquele que sonhamos.
Por isso, eu desejo a você que está lendo esse texto, não saúde ou prosperidade, ou dinheiro no bolso. Desejo a você, atitude.
Desejo a você que pare de olhar para o calendário e volte os seus olhos para o seu interior, num profundo e sério exame de consciência, a fim de detectar onde está a necessidade de transformação para que você passe a ser tudo aquilo de bom que deseja aos outros, seja em janeiro, fevereiro ou setembro, seja que ano for.

FELIZ TRANSFORMAÇÃO!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Você vem

Eu não te conheço,
não sei quais são seus planos,
não ouvi sua voz nem sei
o cheiro do seu perfume.

Mas sei que você vem,
com seus risos e discursos,
com seus prantos e sonhos.
Vem com uma vida toda sua.

Eu te receberei em meu quintal,
onde cantam passarinhos,
onde gotas de chuva já lavaram
meus rastros e minhas lágrimas.

Meu quintal é enorme,
pedaço cimentado de mim mesmo,
onde lânguidos raios de sol se deitam
todas as manhãs.

Lá tem uma cadeira de balanço,
uma mesinha redonda de vime.
Sobre ela uma taça de licor de jabuticaba.
As paredes são de um verde cansado e pálido.

Quando você finalmente vier,
lá terá também alegria.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MEU ANIVERSÁRIO


Fazer aniversário, completar mais um ano como vivente sobre esta terra, em meio a essa gente.
Contar os anos, os meses, os dias. Talvez ir além e tentar descobrir quantas vezes o meu coração bateu nesses trinta e oito anos de atividade biológica de meu corpo físico.
Enfim, há tantos números que possam dar uma idéia mais ou menos aproximada do que significou e significa ser Eu imerso nessa realidade chamada vida física.
Mas nenhum exercício de álgebra jamais poderá calcular as alegrias, as tristezas, as conquistas e derrotas, as decepções e surpresas, as lágrimas e os sorrisos. Por um motivo muito simples: ser não é nada matemático, não há nada de exato e plenamente mensurável em tudo o que vivi nesses trinta e oito longos anos.
Não vou fazer um balanço, primeiramente por que balanço dá aquela sensação de encerramento de atividades, de “fechamento de firma”. Quem faz balanço normalmente busca apurar algum ganho ou detectar perdas, por o lucro no bolso e partir. E eu, definitivamente, não estou nem um pouco a fim de partir ainda.
Não dizem que antes de morrer um homem precisa ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore? Pois eu ainda estou devendo à vida o livro e o filho. Portanto, nada de balanço ainda. Nada de encerramento de atividades.
Em segundo lugar, não vou fazer balanço porque isso implica ficar remexendo coisas velhas, olhando demais para o passado e julgando-me a mim mesmo e às situações pelas quais passei. Taí outra coisa que não estou disposto a fazer: ficar olhando para trás. Meu objetivo é olhar cada vez mais para frente, desbravar cada novo dia que o meu Pai me der de presente.
Claro que eu jamais desprezo as experiências do ontem. Elas forjaram muito do meu caráter e me norteiam, sobretudo para que eu não repita erros já cometidos. Afinal, está na hora de cometer erros novos! Mas tenho uma opinião sobre o passado: se ele não pode ser alterado, posso escolher o que dele me aproveita, sem demorar-me muito na sua avaliação. Basta uma olhada rápida, pinçar alguma coisa que funcionou lá e pronto!, voltemos ao presente.
Portanto, depois desses trinta e oito anos em que eu estou Ronaldo Silva, só uma coisa me interessa: planejar com responsabilidade os próximos trinta e oito, caminhar firme e alegre na direção de todas as experiências que me esperam em cada janeiro, fevereiro, março ou dezembro que me aguardam pela frente.
Mas, e se eles não chegarem? Se amanhã essa história se interromper?
Aí, vou contar um segredinho pra vocês: não há interrupção! A vida simplesmente segue, seja aqui, seja do outro lado.
Hoje estou aqui, estou Ronaldo. Amanhã, posso estar noutra família, noutro país, noutro planeta, noutra galáxia. Apenas saibam que eu estarei, sempre, em algum lugar, completando trinta e oito anos infinitas vezes, e sempre olhando para frente.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Caderno Nossas Letras

Desde o dia 10 de junho de 2012, sempre aos sábados o Jornal Comercio da Franca, tem me concedido, amim e a outros vários poetas e escritores amadores, espaço para publicar meus versos em suas páginas, no caderno Nossas Letras.
Sendo o Comércio um jornal de grande circulação em minha cidade e em toda a região, sinto-me privilegiado.
A foto ao lado mostra a poesia publicada no último sábado, dia 17 de novembro.

domingo, 26 de agosto de 2012

Fim de dia

Casebres caiados
banhados pela luz morredoura
de um sol que se dilui no horizonte.

Crianças correndo
pela rua poeirenta
despreocupadas da vida.

Pés descalços,
cabelos desgrenhados,
despedidas dos dentes-de-leite.

Umas poucas peças de roupa
balançam molemente
num varal frouxo, ao fundo do quintal.

Nas cozinhas, as mães catam o feijão
pensando no custo de vida
e na novela das nove.

Um som distante, quase inaudível,
anuncia fim de expediente
na fábrica distante.

Um suarento vendedor de picolés
passa pela vila com seu carrinho,
acionando a buzina rouca e melancólica.

Em pouco tempo um exército de pais
surge lá no início da rua,
carregando cansaço e esperanças.

Num instante pais, mães e crianças
estão em torno à mesa
com suas histórias do dia.

Um jantarzinho singelo
aquece os estômagos e os corações.
Em seguida um cafezinho, à guisa de sobremesa.

Quando todos apoiam as cabeças,
enfim, sobre seus travesseiros,
ninguém tem dúvidas do que seja a felicidade.

domingo, 13 de maio de 2012

As mães são portas

Mãe é muito mais
que um simples nome.
É um título conquistado
pela valentia da mulher
que assumiu as rédeas da vida.


As mães são portas abertas,
ligando a Terra ao Céu.
Por elas transitam anjos de Deus
trazendo alminhas nos braços.


Seu útero é um santuário;
seu coração, templo de oferendas
e sacrifícios ilimitados.

Deus disse tudo sobre as mães,
quando viveu aqui entre nós,
humilde e submisso
à sua filha-mãe Maria.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Eu amei

Eu amei.

Sim, esse meu coração
atrofiado, ressabiado,
já foi acordado
pela doce melodia.

Um dia,
numa data perdida
entre o fim da infância
e o início da vida adulta
eu amei ardorosamente.

Essa é a mais pujante lembrança
que me abrirá a consciência
quando eu penetrar a outra vida.
Eu amei inesquecivelmente.

E como todo amante real
eu ri, chorei, suei frio,
senti o corpo se arrepiar e tremer,
o sangue circular forte.

Nem sempre eu fui essa palmeira
solitária na praia de mim mesmo.
Essa palmeira balançada
pelo vento besta do não-amor.

Moderno

Eu li o mundo,
mudo.
Milhões de sílabas
esquecidas.
Não havia vozes capazes de dizê-las.

Eu li, mudo,
às secretas confissões
dos seres silábicos.

Dores de parto sufocadas,
gemidos de agonizantes aplacados.
Todos os relógios do planeta parados
à espera da espera.

E formigas amontoadas
ziguezagueando atônitas,
rindo, sorvendo uma vida
sem vida.

As palavras já não servem,
a poesia não serve,
tampouco a música se aproveita.
A música emudeceu também.

Quem tem olhos para ver, tape-os.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ocaso e descaso

Entre as dezenas de justificativas
para se colocar fim a uma história,
você simplesmente escolheu nenhuma.
Foi apenas uma despedida fria e... o silêncio.

Nas memórias dos casais desfeitos,
há sempre para narrar aos amigos
um último olhar, um derradeiro toque,
um beijo melancólico de despedida
ou mesmo uma apocalíptica discussão.

Entre nós, contudo, nada de olhares.
Nenhum toque ou beijo, tampouco um bate-boca.
Sem acusações ou mea-culpa, sem choro ou ironia,
em meio a evasivas você tão somente saiu de cena.

Os bits do ambiente virtual onde nos conhecêramos
foram calmamente carimbando caracteres
até que surgisse, completa e inexorável,
a frase que seus lábios me negaram dizer pessoalmente:
"Sim, estou colocando um fim na nossa história."
"Tchau. Fica com Deus."

Destoando completamente do imenso respeito
que tivemos o tempo todo um pelo outro,
apenas assisti, perplexo, à desconsideração
de sequer poder argumentar ou cobrar uma explicação.


O calor de todos os nossos beijos,
aquele arrepio suave provocado pelos toques de carinho,
o som, ao mesmo tempo firme e doce, da sua voz.
Tudo foi substituído pela secura de um teclado morto.
E o fim descrito como uma sentença no monitor sem alma.

Nos dias seguintes, inutilmente esperei que emergisse
daquela tela luzente uma mensagem nova
que desfizesse o mal entendido.
Ou mesmo uma ligação que dissesse:
"Seu beijo me faz falta!"

O celular e o computador, porém, ficaram inúteis.
Tanto quanto as inúmeras perguntas
que torturam meu pensamento sem descanso.
Como pode decidir sozinha que ficaríamos melhor separados?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal

Chega, mais uma vez, a oportunidade de celebrarmos no Natal. Adentramos o século XXI, a sociedade reedita seus valores constantemente e numa velocidade impressionante. Assustadora também é a velocidade com que o planeta renova seus mecanismos de tecnologia. Tudo, cada vez mais, nos chega como novidades espantosas a facilitar a nossa vida, ao mesmo tempo em que uma porção de coisas que simbolizavam o moderno vão ficando obsoletas.

É incontestável que, do século XXI pra cá o mundo passou a conhecer uma revolução científica e tecnológica sem precedentes.

Entretanto, uma imensa massa de pessoas concordam que a evolução moral do ser humano não acompanhou esse ritmo.

É claro que tivemos avanços estupendos no que diz respeiito à convivência entre os povos: já faz tempo que Guerra Fria é apenas expressão dos livros de história, as mulheres conquistaram merecidamente seu espaço na sociedade, ditaduras cruéis caíram, vários índices que apontam as melhorias nas condições de vida da humanidade melhoraram, legislações no sentido de amparar as minorias vão sendo costuradas com mais ou menos bom senso etc.

Então, do que as pessoas reclamam, quando dizem que a evolução do ser humano não foi expressiva?

Isso também se fundamenta em dados muito concretos. Menciono alguns: pipocam mundo afora histórias dramáticas de violência do ser humano conta seu semelhante; índices que apontam corrupção sistêmica em alguns países - Brasil, na liderança - são alarmantes, indicando que os detentores do poder ainda não ligam para as multidões de trabalhadores que confiam seu honesto dinheiro aos cofres públicos, esperando obter retorno adequado em serviços de saúde, segurança pública, educação e transporte; a desigualdade social no planeta todo ainda é gritante, sendo que há ainda hoje milhões (ou bilhões?) de seres vivendo abaixo da linha da pobreza, enquanto há meia dúzia de bilionários usufruindo das benesses do mundo; um grande número de ataques a homossexuais ou negros ou moradores de rua ainda é registrado; a internet, essa ferramenta fantástica que une o ser humano de ponta a ponta do globo, tem visto suas redes sociais infestadas de intolerância, ódio, racismo, preconceito de todas as categorias, seja religioso, de raça, de orientação sexual, preferência política ou desportiva; a violência contra a mulher parece só crescer, os casos de pedofilia não param... Enfim, aos olhos de muitas pessoas, esses são motivos mais do que suficientes para afirmar que o mundo só tem piorado.

Mas, afinal, o que é que o Natal tem a ver com tudo isso?

O Natal, meus caros, apesar de ter se transformado no maior mecanismo de apelo comercial do mundo, é simplesmente a celebração do humilde nascimento daquele Jesus Cristo que veio a este mundo trazer (ou ser, como ele mesmo disse) o caminho para que o ser humano se supere a si mesmo e vença todos os seus males interiores, males que ainda permitem a existência de um quadro de dor e injustiças nesse nosso planeta.

Portanto, o Natal deve ser ocasião de olharmos atentamente, não só para as árvores enfeitadas ou para os presentes distribuídos ou a farta comida à mesa, mas também - e principalmente - para a vida desse nosso Mestre da bondade, do amor, da tolerância, da humildade e de todas as demais virtudes possíveis ao ser humano.

Celebremos, portanto, ao redor de nossas mesas fartas (aqueles que as tem assim), ao pé da nossa árvore decorada. Celebremos, sim, abrindo presentes bonitos.

Mas, sobretudo celebremos com o coração alegre pelo fato de termos um Mestre e Senhor que é o modelo que todos nós podemos seguir se quisermos ser melhores seres humanos.

E eu acho que todos queremos. Ou será que não?


ENTÃO, FELIZ NATAL A TODOS(AS)!!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Encontro



Amor,
Onde encontrar palavras adequadas?
Como exprimir com um mínimo de exatidão,
o que significa teu olha pousado sobre mim?
De que maneira poderia uma poesia retratar
minimamente o que não se enquadra na palavra?

Definitivamente não há como pronunciar toda a ternura
dos nossos corpos dialogando entre si.
Encontramo-nos, enfim.

Tudo em nós ansiava por este encontro.
Nossas almas justapostas,
nossos lábios calados pela eloquência de beijos ardentes,
disseram um ao outro que nos pertencemos desde muitas vidas.

Agora, mesmo quando não está aqui, aqui está,
palpitando em meu peito, entrando e saindo dos meus pulmões,
rosto que eu vejo a todo momento diante de mim, quer abra ou feche os meus olhos.
Porque não há distância entre almas que se uniram pela cumplicidade como as nossas.

Você me perguntou onde eu estava todo esse tempo em que eu vivi longe de sua vida.
Acho que tenho já a resposta: eu estava ensaiando arremedos de felicidade,
preparando meu coração com pequeninas alegrias.
Assim ele tornou-se robusto o bastante para carregar o sentimento gigante que você me traria.

Tudo o que eu vivi até agora, meu amor, foi simplesmente preparação para nosso encontro
aprendendo a ser o melhor que eu posso ser para nós.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A minha morte

Ontem eu pensei na minha morte.

(Antes de mais nada, acalmem-se, eu não sou um suicida e isso aqui não é uma carta-testamento ou coisa que o valha.)

É sério!

Estudei mil maneiras de escrever isso usando alguns eufemismos. Pensei até em não escrever, afinal eu já escrevi um poema sobre a morte - "Surpresa" é o título - mas não teve jeito.
Porque foi mais que um pensamento, foi uma sensação tão real e viva (que paradoxo!), que eu não poderia deixar de registrar aqui.
Hoje eu pensei, senti e chorei a minha própria morte. E fiz isso sob algumas variadas perspectivas, o que julgo perfeitamente compreensível quando ainda se está vivo.
A primeira coisa que me veio à cabeça foi o "como" eu morreria. Em instantes eu me vi debruçado sobre o teclado do meu laptop, vítima de um ataque cardíaco fulminante (claro que eu não vou querer sofrer antes da passagem!).
Assim eu fui encontrado: cabeça pousada sobre o laptop aberto. Na tela, logado em uma das minhas redes sociais o início de um texto que eu jamais viria a concluir.
Depois do trauma indescritível de um familiar meu me encontrar cadavérico - cena pela qual eu passei bem rápido, obviamente - passei a fantasiar com muita lucidez como seria cada um dos demais familiares, amigos, ex-namoradas e conhecidos recebendo a notícia do meu desencarne. Eu pude sentir a reação de choque de cada um deles. Era muito real, assustadoramente real!
Nessa hora comecei a chorar compulsivamente. E o mais estranho é que eu não chorava as consequências da minha morte na minha vida - e isso não é um trocadilho! - mas chorava a consequência na vida de cada um deles(as). Foi então que eu quis interromper o pensamento, mas o teatro mental não fechava as cortinas e, em instantes, meu velório estava organizado.
Eu passeava tranquilamente entre as pessoas, completamente consciente de tudo o que se passava, mesmo assim sereno, olhava para meu caixão e ficava ouvindo os lamentos de cada um em particular. Embora nesse momento eu já não chorasse mais, como isso doeu! Sobretudo quando se tratava de minha mãe e de minha irmã.
A todo momento um homem calmo que me acompanhava dizia com sensível educação: "Agora chega, Ronaldo. Vamos embora."
Embora eu não respondesse nada ao homem calmo, ele parecia ler meus pensamentos que diziam: "Não, ainda não! Quero ficar mais um pouco."
Uma pessoa então aproximou-se do caixão e, alisando-me a barba com ternura, disse: "Pena eu não ter conseguido te dizer mais uma vez o quanto te amava! Você foi muito importante na minha vida."
Continuei passeando entre os presentes. O salão estava lotado. Por todos os cantos, as expressões da perplexidade ante uma morte tão repentina e, de certo modo, prematura. Palavras amenas aqui e acolá, contidas manifestações de apreço. Mais na periferia do salão, especulações sobre a causa da morte, descrições as mais fantasiosas sobre como minha mãe me teria encontrado morto em meu quarto. Mais adiante, claro, algumas anedotas e conversas sobre corrupção no governo, a política de juros, o preço do café, a novela das nove etc. Afinal, velório é velório...
Numa cena derradeira, meu caixão descendo à sepultura em meio a lamentos incontáveis. Parentes meneando a cabeça inconformados. Uns pensando: "como pode ter ido tão cedo. Nem um filho ele deixou!" Outros conjecturavam: "Lá se vai, sem ter pago nenhuma das suas dívidas. Acabou se safando!"
Antes que o cemitério se esvaziasse e eu começasse o processo de ser pouco a pouco esquecido pela grande maioria dos presentes, o sereno homem de branco mais uma vez instou a que fôssemos embora e eu anui não menos calmamente.

Assim foi o filme que se passou na minha mente na tarde de ontem. Pena eu não ter conseguido assistir o desenrolar de minha penetração no mundo espiritual.

domingo, 28 de agosto de 2011

Versos cheios

Pobre homem
este que adentra meu quarto
arrastando chinelos e angústias
e cujo silêncio tornou-se comum.

Sufocados seus amores,
estancadas injustas lágrimas,
senta-se à velha escrivaninha
à espera de um verso que lave sua alma.

Pobre homem, à beira dos quarenta,
um coração de velho batendo no peito.
Mas ele não se lembra bem
deter vivido sonhos de criança.

Recorda-se somente de ter vivido meses
na casa da felicidade,
de onde saiu aflito, pisando duro,
e deixando alguém a chorar.

Pobre homem mudo
a quem a vida parece grande demais.
Onde estão seus amigos?
Seus amores, cadê?

Pobre homem de versos cheios
e vida vazia.

domingo, 21 de agosto de 2011

Nada Sei

Existe uma frase muito comum nas páginas das redes sociais, que diz o seguinte: "Quando a gente acha que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas".

Parece, de fato, uma excelente frase de efeito. Mas ela tem assumido uma dimensão muito real na minha vida, diante de circunstâncias que tenho vivido ultimamente.

Bem próximo dos meus 37 anos de idade, depois de ter vivido algumas experiências no âmbito da religião e tantas outras no que tange relacionamentos afetivos, sinto-me estranhamente perdido, com a sensação exata de que tudo o que eu pensava saber sobre mim mesmo ou sobre a vida não tem consistência, é uma ilusão que eu criei para alimentar meu ego.

E pior que a sensação de que nada sei, é um certo desespero de não saber também como agir.

Tenho, nesse momento, a exata noção de que preciso rever muitos de meus conceitos, romper com paradigmas, começar a reescrever minha história. Mas não estou sabendo como começar isso.

Confesso minha ignorância a respeito de muitos aspectos de mim mesmo. E dói-me enxergar que tal ignorância, além de frear a minha evolução, feriu pessoas que conviviam comigo enquanto eu achava que estava absolutamente seguro. Eutransformei essa pseudo-segurança em prepotência, arrogância e insensibilidade. Isso fez-me perder a possibilidade de harmonia com a pessoa que, sem dúvida, mais me amou nessa vida e a mim se dedicou com desprendimento.

Agora, num momento em que a solidão penetra o mais íntimo de mim, aborvido por elucubrações as mais diversas, tenho medo, muito medo.

Antes de mais nada, medo da própria solidão. Medo dessa falta que me faz uma mão que segure a minha com carinho e paciência. Medo do tamanho da tarefa que vejo não diante de mim, mas dentro de mim.

Felizmente, coabitando com o medo, há em mim uma brisa de esperança. Essa esperança me diz que é possível, que há um pouco de luz.

Assim espero e peço a Deus que me ajude, de fato, a realizar a tarefa de me reconstruir.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Não vale a pena

Estou longe,
muito longe de minha terra.
Não falo de minha terra natal,
lugar físico onde eu nasci
para viver essa experiência corporal.

Estou longe da terra que sou eu mesmo,
como que vivendo uma experiência de nulidade
e, relação à minha essência verdadeira: o amor.

Em labirintos atordoantes
venho caminhando.
A boca sedenta, o coração acelerado.

A cada curva a certeza de que encontrei
uma felicidade preparada para mim desde sempre.
Mas tudo são miragens, talvez construções mentais.

O que eu quero não existe!
Está por ser feito, carece de laborioso empenho.
E minha mente diz sem cessar: "Não vale a pena!"


quinta-feira, 10 de março de 2011

Enquanto o poeta escreve...

Estou surpreso.
Acesso meu blog e constato que minha última postagem data de 11 de dezembro do ano passado, dia de meu aniversário.
Minha surpresa se justifica porque escrever sempre fora vital pra mim. Sobretudo escrever poesia.
Lembro-me de épocas em que tudo me inspirava, me aguçava. Certa vez, durante um dia atribulado de trabalho, sentei-me no ponto de ônibus para esperar a condução e o barulho da avenida me inspirou um simpático poema.
Ah, bons tempos aqueles em que tudo era material e motivo para eu pegar a caneta e enfileirar palavras, construir idéias e, quase sempre, no final maravilhar-me delas. Um drama pessoal, uma notícia de jornal, uma paisagem. Tudo despertava-me o desejo de fazer poesia. Confesso, inclusive, que deixei passar muitas dessas ocasiões, ora por estar em lugar inapropriado, ora por não dispor no momento de papel e caneta. Que arrependimento!
Hoje, estou seco. Sinto-me frio, meio que refratário às inspirações que tentam se aproximar. Temas que antes mexiam comigo, hoje passam ao largo da minha percepção ou de meu interesse.
Sempre apreciei falar e escrever sobre política e os temas sociais que a ela estão subordinados.
Desanimei.
Como falar de política num país onde tão raras vozes se erguem para defender o povo - principal foco da boa política - , enquanto nossos nobres parlamentares se concedem a si mesmos mais de 60% de aumento dos já polpudos salários? Pior: logo em seguida, aprovam com grande adesão um reajuste ridículo para o salário do povo - o mínimo. Reajuste que, segundo ouvi de um economista, não repõe sequer as perdas inflacionárias do ano passado.
Eu também gostava de falar de amor, de romantismo... e coisas afins. Entretanto, estou bem mais propenso a viver um amor do que a escrever sobre ele. Mais do que palavras ou canções bonitas, prefiro cultivar meu romantismo no cuidado diário. É incrível como nas coisas mais simples da vida a gente consegue cuidar bem da pessoa amada. Deois de um longo e cansativo dia de trabalho, se oferecer pra cozinhar pra ela e deixá-la descansar no sofá enquanto assiste a novela, ou se oferecer pra lavar a louça depois que ela gastou boa parte do tempo cozinhando. Esses e outros cuidados tão simples de cuidado e carinho falam mais que as mais tocantes palavras de amor.
Além do mais, muitas das minhas poesias de amor de outrora falavam de frustrações, de solidão, de coisas não realizadas, separações.
Assim, ainda que eu sinta falta de escrever sobre o amor, nesse tema estou mais reconfortado, porque, se não estou escrevendo, estou vivendo intensamente.
Outro tema que me instiga bastante é religião. Desde muito cedo eu gosto de tratar de religião, espiritualidade, temas transcedentais.
Por outro lado, é um tema pouco recorrente na minha poesia.
Ademais, desde que optei por mergulhar na doutrina espírita, nela encontrei bases seguras sobre as quais construir minha evolução espiritual. O espiritismo tem me ensinado, dia a dia, as razões da minha fé e tem me mostrado que o Evangelho é uma ferramenta potente de transformação íntima.
Claro que tenho um desejo ardente de escrever sobre espiritismo. Mas ainda não chegou a minha hora. Estou no tempo de ler, de apreender. E o que não falta são livros! Além das obras básicas da doutrina, codificadas por Kardec, uma infinidade de autores e temas há para serem explorados, debatidos e compreendidos. De minha parte ainda não possuo autoridade moral, tampouco profundidade doutrinária para me meter a escrever sobre espiritismo.
Como se vê, acabo eu mesmo de entender a razão pela qual eu tenho escrito tão pouco.
Certa vez eu disse o seguinte: "Enquanto o poeta escreve, as pessoas vivem". Tal frase refletia uma época em que eu vivia mergulhado em angústias, depressão e medo. Uma fase em que eu andava escondido do mundo, e sofria por achar que estava à margem da vida, incapaz de encontrar nela as alegrias que as pessoas à volta demosntravam.
Pois bem, agora o poeta também vive. E dessa vivência, certamente há de nascer uma poesia mais sólida, a seu tempo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Meu aniversário

Mais um ano se passou... E como têm passado rápido os anos! Completo hoje 36 anos, com saúde, amor, alguma grana pra satisfazer pequenos desejos e rodeado de pessoas que amo. Que mais eu poderia desejar de bom nessa vida?

Estou feliz!

Logo estarei de férias do trabalho. Aí prometo me dedicar mais ao blog.